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Como é ter um filho bilingue

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Este ano irá fazer 4 anos que estamos morando aqui nos EUA. Quando chegamos aqui em 2013 o Theo tinha acabado de completar 5 anos e hoje ele já está com quase 9 anos, isto é,  ele mora aqui nos EUA quase a mesma quantidade de tempo em que ele morou no Brasil e está totalmente adaptado a cultura daqui e é fluente na língua inglesa.

Vocês que acompanham o meu blog desde de o inicio sabem que ele chegou aqui sem falar uma única palavra de inglês e acompanharam a minha ansiedade no primeiro dia de aula dele aqui. Ele se adaptou muito rápido a vida escolar nos EUA e nunca me deu trabalho ou preocupações neste quesito. Muitas mamães me escrevem com muitas dúvidas e preocupações sobre a adaptação das crianças nas escolas aqui nos EUA, o que é completamente normal pois eu também saí do Brasil com o coração na mão com relação a este assunto e chegando aqui percebi que a preocupação era mais minha do que dele. Claro que cada criança tem um ritmo, algumas vão se adaptar mais rápido outras vão precisar de mais um tempinho mas no final todas se adaptam, criança são como esponjas absorvem tudo muito rápido, principalmente se a família encarar todo este processo de maneira positiva, com calma e com muito amor!

Também recebo muitas perguntas com relação ao português do Theo e se ele está esquecendo ou misturando as palavras. Em casa conversamos apenas em português o que ajuda a manter a língua materna presente diariamente no cotidiano dele. Além disso, ele não gosta de conversar em inglês comigo ou com o pai, mesmo quando estamos em um ambiente onde todas as pessoas falam inglês como na escola ou na casa de amigos americanos. No meio de uma conversa onde todos estão falando  a língua inglesa ele sempre se dirige a mim e ao pai em português. As vezes isso é meio chato pois as outras pessoas não entendem o que estamos falando e sempre temos que lembrá-lo para falar em inglês nesses momentos mas ele diz que é estranho conversar em inglês comigo. Acho que porque o meu inglês não é tão bom quanto o dele rsrsrsr, mas eu também não me sinto natural quando converso com ele em inglês (na frente dos amigos dele por exemplo).

Mas isso também varia de criança para criança. Tem crianças brasileiras que gostam tanto de falar em inglês que acabam falando em casa com os pais também e se os pais não insistem em manter o português em casa o inglês vai dominado até chegar ao ponto da criança parar de falar em português totalmente e quanto se vê obrigada a falar, fala misturando as línguas pois ela acaba esquecendo algumas palavras do português por falta de uso.

O inglês do Theo é ótimo, ele já foi dispensado do programa ESL da escola há um bom tempo e segundo amigos americanos e a professora ele não tem sotaque nenhum do português, se comunica como qualquer criança americana. Ao vê-lo brincado com os amigos eu percebo que ele fala um inglês bem rápido e já usa várias gírias, o que me deixa perdida algumas vezes pois chega ao ponto de eu não entender o que a criançada esta falando dentro da minha própria casa! rsrs

Esta facilidade do Theo de transitar entre as duas línguas como se fosse a coisa  mais natural do mundo se deve ao fato de ele ter chegado aqui já falando português fluentemente. O que eu percebo é que filhos de brasileiros que nasceram aqui ou crianças que chegaram muito novinhas e que ainda não falavam português quando deixaram o Brasil tendem a tornar o inglês como sua língua principal, principalmente depois que entram na escolinha. Cabe aos pais se esforçarem ao máximo para manter o português em casa pois a tendência nestes casos é da língua portuguesa ficar meio de lado.

O Thomas nasceu aqui, então vou ter que ter essa dedicação de ensina-lo o português. Aqui em casa só conversamos em português com ele (inclusive o Theo), mas o  inglês já faz parte da audição dele, seja pelos desenhos da TV, música no  carro ou quando converso em inglês com as pessoas. Sei que as duas línguas já estão sendo assimiladas pelo cérebro dele. Ele começou a falar algumas palavrinhas bem básicas do português e li que crianças nascidas em um ambiente bilíngue tendem a demorar um pouquinho mais para falar pois o cérebro  esta assimilando toda essas informações novas. Vamos ver como vai ser.

Mas o principal conselho que eu posso dar para os pais que estão mudando de país é que preservem o português em casa, insistam, não deixem seu filhos perderem a língua materna, não converse com os seus filhos em inglês. Ser bilingue é  falar bem as duas línguas!! O português é importante para manter os laços com o seu país, para poder conversar com os avós, titios e primos do Brasil,  faz parte da história e da cultura da criança. Sei que tem gente  que acha o máximo chegar no Brasil e ver o filho falando em inglês com as pessoas, eu particularmente acho que isso não tem sentido e só serve para encher o ego dos pais, sinceramente falando.

O meu desafio agora será alfabetiza-lo em português. Ele já lê e escreve em inglês e consegue ler um pouco em português (temos vários livrinhos e gibis em português aqui em casa) mas por ter aprendido a escrever em inglês através do som das palavras  ele não consegue escrever em português que é uma língua silábica. Mas eu sei que vai depender de mim incentiva-lo e arrumar um tempo para sentar junto com ele e praticar a escrita e a leitura em português. Eu até comprei uma cartilha na última vez que estivemos no Brasil, começamos a trabalhar com ela mas acabei parando pois achei melhor ele focar bem na leitura e escrita em inglês primeiro por causa da escola pois estava ficando meio confuso para ele, mas vou tentar começar a alfabetização dele em português novamente depois das férias de verão.

Espero que tenham gostado do post!

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Grande abraço

Juliana

Todos os textos e fotos desta página são de direitos autorais da autora Juliana Fontes.
A cópia de tais textos é proibida por lei. Fique à vontade para compartilhar e divulgar o blog mas não copie e cole.

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Adaptação das Crianças `as Escolas Americanas

Quando uma família se muda para um outro país com filhos pequenos, a adaptação das crianças ao ambiente escolar é com certeza uma das maiores preocupações dos pais.

Perguntas como “Será que o meu filho (a) vai se adaptar?”, “Mas ele não fala nada de inglês, como vai ser na escola?”, Será que ele vai fazer amigos?”, “Vai sofrer preconceito na escola por ser estrangeiro?” estão entre as principais perguntas que recebo dos pais aqui no blog.

Vou falar aqui no post da minha experiência com o meu filho que na época tinha acabado de completar cinco anos e não falava nada em inglês quando chegamos aqui nos EUA. Claro que cada criança é única e o tempo de adaptação pode variar de criança para criança e principalmente com qual idade ela chega aqui nos EUA.

A adaptação do Theo aqui nos EUA me surpreendeu muito pois foi muito rápida para quem não falava nada de inglês. Eu estava muito ansiosa na época e preocupada pois foi uma mudança de rotina muito grande na vida dele. Mudamos para uma casa nova em um outro país, uma escola completamente nova, nova professora, novos amigos e principalmente uma nova língua. Se já é complicado mudar o seu filho de escola dentro do seu próprio país pois é difícil deixar os amiguinhos antigos, com os quais a criança já tem um vínculo de afeto, imaginem fazer novos amigos em uma escola nova quando a criança não fala o mesmo idioma dos colegas de classe? Comunicação é a base da rotina escolar.

O primeiro dia de aula do Theo aqui nos EUA foi um dia muito especial para nós e principalmente me mostrou que eu tenho um pequeno grande valente aqui em casa. O detalhe desse primeiro dia pode ser conferido clicando no post abaixo.

O primeiro dia de aula do Theo nos EUA

O Theo se adaptou muito rápido a escola mesmo sem falar inglês e eu acho que o grande sucesso deste desafio, além da própria coragem dele e do nosso incentivo positivo como pais, foi o suporte que ele teve por parte da escola aqui nos EUA.

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Cantinho da leitura dentro de sala de aula. Muitos livros, fora os que tem na biblioteca da escola.

Como os EUA recebem muitos estrangeiros de toda parte do mundo, as escolas públicas daqui estão acostumadas a receber estas crianças e possuem uma equipe de professores e um método de ensino especialmente voltado para elas que é o programa ESL (English Second Language) ou ELLs (English Language Learnings).

Quando você vai matricular o seu filho em uma escola aqui nos EUA, dentre os documentos necessários, tem um questionário onde você tem que preencher a nacionalidade da criança e o idioma falado em casa. Com base nestas informações o próprio sistema escolar já vai indicar se o seu filho está apto ao programa ESL/ELLs.

Praticamente todas as crianças e adolescentes estrangeiros matriculados em escolas públicas americanas entram neste programa no qual elas tem um suporte dentro de sala de aula que irá ajudá-los com o aprendizado da língua inglesa. A criança passa por avaliações semestrais e ela só sairá do programa quando o professor perceber que ela é capaz de acompanhar a sua turma sem dificuldades. Este programa é totalmente gratuíto.

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Tabela utilizada para avaliar o nível de inglês dos alunos

Esse programa é inserido na rotina escolar de diversas maneiras dependendo do distrito escolar que a criança frequenta. No caso do Theo nos primeiros dias ficava uma professora com ele em sala de aula dando suporte (ele entrou no Kindergarden o que seria o último ano da educação infantil no Brasil). Depois ele ficava em sala de aula com a professora da turma dele e em algum período do dia escolar a professora do ESL ia até a sala de aula buscá-lo para fazer as atividades do ESL em uma sala separada.

Tem distritos escolares que possuem escolas específicas para as crianças estrangeiras que não falam a língua inglesa. Depois que a criança passa a dominar e a compreender o idioma ela vai para a sua escola regular do bairro.

Os pais recebem este relatório do WIDA sempre que as crianças passam pela avaliação:

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Último relatório do WIDA do Theo que o liberou do ESL!

 

Link do  WIDA Federal Program (alguns Estados não estão no programa WIDA, neste caso é só entrar no distrito escolar da cidade em que voce irá morar e procurar informações sobre o programa ESL/ELLs utilizado).

A maioria das escolas aqui dos EUA, pelo o que eu leio a respeito e pela minha própria experiência com o meu filho, se mostram muito abertas a esta mistura de nacionalidades no ambiente escolar.

O Theo está em uma Elementary School, onde estudam crianças de 5 a 10 anos (do kinderganten até a quinta série). Nessa faixa de idade escolar a relação entre as crianças é muito tranquila e elas não se importam em qual país você nasceu, elas querem brincar juntas, conversar e dar risadas. Essas crianças não tem preconceito com relação as outras crianças. As escolas daqui também são muito rígidas com relação ao comportamento do aluno em sala de aula e qualquer tipo de bullying é inadmissível.

Não sei como funciona a adaptação do pré-adolescente e do adolescente nas escolas daqui (alunos da Middle School e da High School) pois sabemos que nessa fase o ambiente escolar é um lugar muito importante no desenvolvimento social dos nossos filhos. Nessa idade os grupos de amigos já estão formados pois como aqui as crianças do mesmo bairro estudam na mesmo escola eles já se conhecem há muito tempo, e para um adolescente que chega de um outro país sem falar o idioma, se inserir em grupos de amigos já formados não deve ser tarefa fácil. Mas isso vai depender da personalidade de cada criança ou adolescente.

Hoje, dois anos e dois meses depois de chegar aos EUA sem falar nada de inglês, o Theo já está fluente. Ele saiu do programa ESL há 1 ano atrás pois segundo a professora o inglês dele está no mesmo nível dos coleguinhas de sala americanos. Cabe lembrar que dentro de casa só conversamos em Português. Tomamos esta decisão pois a carga de inglês que ele tem por dia na escola já é grande (ele fica 7 horas por dia na escola) e achamos importante manter a língua do nosso país. Além disso o meu inglês é repleto de erros gramaticais e de sotaque tanto é que, hoje em dia, sou eu quem pergunto para o meu filho como que se pronuncia determinada palavra em inglês!

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Uma das paredes da sala de aula do Theo

Um fato interessante é que as crianças que chegam aqui muito novinhas, por volta de 1 e 2 anos (por elas estarem no processo de começar a falar e adquirir vocabulário), quando começam a frequentar as escolinhas daqui elas tendem a misturar os dois idiomas e acabam usando palavras em português e em inglês na mesma frase, por mais que os pais falem apenas em português com elas. Crianças maiores como o Theo que chegou aqui com 5 anos, portanto já com o português bem consolidado, tem uma facilidade muito grande em transitar entre os dois idiomas sem misturá-los. Parece que eles têm um botãozinho que muda de maneira automática do português para o inglês e vice-versa.

O inglês dele, segundo a professora não tem sotaque e por sua vez, como sempre o incentivamos a falar português em casa e corrigimos os erros gramaticais que ele comete as vezes (pois agora ele tende a traduzir do inglês para o português) o português dele continua muito bom.

Com base nestes dois anos que estou morando aqui e observando tanto a adaptação do meu filho como a de filhos de amigos mais novos ou mais velhos que o meu, e pelo depoimento de outras mães em comunidades e blogs de brasileiros que se mudaram para o exterior com crianças, a adaptação ocorre de uma maneira muito natural e elas aprendem a falar inglês com uma rapidez impressionante! Então se a sua preocupação em se mudar ou não para outro pais é se o seu filho (a) vai aprender a nova língua e se adaptar, pode riscar este item do seu caderninho!

E para terminar o post segue duas frases clássicas que o Theo costuma falar em português pensando em inglês. A gente até acha graça, mas sempre fazemos questão de corrigir para o português dele ficar sempre bonitinho.

-“Posso ter água mamãe?” Normalmente ele perguntaria “Me dá água por favor mamãe?”  mas ele tende a traduzir do “Could I have water”.

-” Você sabe este desenho que está passando na TV?” Normalmente seria “Você conhece este desenho que está passando na TV?”, mas ele traduz do “Do you know this cartoon?”

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Escola nos EUA

Como é a escola pública nos EUA

Noite Multicultural na escola

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Abraços!

Juliana

 

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