
Me vejo enrolando para iniciar os preparativos da festa de 10 anos do caçula da casa. Só sei que vai ter bolo tres leches (o preferido dele) e brigadeiro enrolado com granulado em forminha de papel colorida — aquele de comer de colher no potinho não vale.
Prestando um pouco mais de atenção a essa minha falta de animação, descobri que, na verdade, estou nostálgica. Os dez anos marcam o início da despedida da infância.
Não me lembro de ter me sentido assim no aniversário de dez anos do meu mais velho. Não me levem a mal; a data foi supercomemorada e até me arrisquei nos dotes culinários fazendo um bolo de pasta americana com o tema Pokémon. Mas o detalhe é que, naquela época, o meu caçula tinha apenas dois anos. Minha casa ainda estava repleta de sons, cheiros, sabores e cores de criança por todos os lados.
Desta vez é diferente. Já era, acabou, finito. Não haverá mais crianças com menos de dez anos aqui em casa. A fase “infância” está chegando à reta final. The end.
É claro que queremos ver nossos filhos crescerem e serem independentes. Celebramos o dormir a noite toda, o engatinhar, os primeiros passinhos; cada progresso no desfralde era motivo de festa! Celebramos o primeiro dia na escolinha (“agora vou ter tempo para mim”, pensamos), a primeira volta de bicicleta sem rodinhas, o primeiro sleepover. Celebramos a troca de cada dentinho, as mudanças de faixa no taekwondo e até a perna engessada por um mês — bem, nesse caso, a celebração foi no dia da remoção do gesso mesmo.
A nostalgia vem do que já se foi, ou do que está com os dias contados e não terá repeteco.
