
Atualmente moramos pertinho da escola do filho caçula aqui na Flórida, então temos o privilégio de ir todos os dias para a escola de bicicleta. Diferente de Michigan, onde ficávamos meses naquele frio de lascar esperando o ônibus escolar — e ir de bicicleta era completamente inviável nos meses de inverno —, por aqui o clima favorece muito essas nossas pedaladas matinais.
Não temos neve na Flórida, mas temos meses de muita chuva, os chamados chuvões de verão! Sol com chuva, chuva com sol. Chuva morninha! Normalmente, as chuvaradas chegam no período da tarde por aqui, então tivemos poucos dias em que estava chovendo bem na hora de irmos para a escola.
Esta semana, particularmente, está bem chuvosa por aqui, com aquela chuvarada de dia inteiro onde garoa, para, chove forte, para de novo. Na hora de sairmos, estava uma garoa bem fininha; colocamos nossas jaquetas de chuva e saímos pedalando em direção à escola. A chuva começou a apertar, começamos a pedalar mais rápido, e meu filho reclamou que estava molhando o tênis.
Indo com a minha bicicleta logo atrás dele, gritei: — Não tem problema, tênis seca e você não é feito de açúcar!
Acho que ele não entendeu a comparação e achou a mãe aqui meio doida.
Assim que ele passou pelo portão da escola, eu fiquei parada embaixo d’água porque ele sempre olha para trás — virou três vezes para me dar tchau. A chuva ficou mais forte e começou a cair em gotas bem gordas, daquelas que fazem splash nas poças d’água, sabe?
Virei a bicicleta e olhei para o meu caminho de volta na ciclovia que margeia a rua principal. Diferente dos dias sem chuva, quando ela está dominada por crianças a pé, de bicicleta, de e-bike, com mães empurrando carrinhos de bebê e a turma da caminhada matinal, hoje ela estava praticamente vazia. Só com uma ou outra criança indo em direção à escola embaixo de um guarda-chuva ou pedalando, já toda molhada.
Olhei para a rua e a fila de carros dos pais que optaram por levar os seus filhos para a escola se perdia no horizonte de tão comprida
Comecei a pedalar.
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