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4 anos nos EUA e o futuro do blog

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Outono de Michigan 2017 – foto @morarnoseua

 

Hoje, dia 10 de novembro de 2017 faz exatamente 4 anos que deixamos a nossa vida redondinha, casa legal, cidade bacana, emprego, familiares e amigos para começar tudo do zero em outro país. Olho para traz e parece que foi ontem, como passou rápido! Quanta coisa aconteceu, o quanto que aprendemos, desafios, saudades…e no meio disso tudo este blog que me colocou em contato com tanta gente na mesma situação que nós e que fez o meu caminho se cruzar com de pessoas novas (algumas que tive o prazer de conhecer pessoalmente e que se tornaram minhas amigas),  que chegaram aqui em Michigan alguns anos depois da gente mas que encontram aqui, algumas respostas e caminhos para as dúvidas tão frequentes durante este momento de mudança e adaptação.

Quatro anos se passaram desde que escrevi o primeiro post aqui e uma das perguntas que eu mais recebo hoje é: “Você ainda escreve o blog Juliana?” ” O blog acabou?” e a resposta é NÃO, o blog não acabou! O que acontece é que desde que o meu segundo filho nasceu eu não consegui ainda me organizar para reservar um tempo para sentar e compartilhar as nossas experiências aqui no blog e outra, eu acho que não tenho mais tanta novidades para escrever aqui, depois de 4 anos a vida já entrou em uma rotina. A finalidade principal quando iniciei o blog, era compartilhar a nossas experiência durante a fase desta grande mudança de vida que tivemos há quatro anos atrás. Escrevi muito sobre o nosso período de adaptação, as coisas novas que aprendemos, compartilhei dicas praticas  como tirar a carteira de motorista, locação de casa, as escolas nos EUA entre outras coisas. Todos essas informações estão aqui no blog e sei que continuam ajudando muitos recém chegados por aqui.

Ultimamente, o tempo que eu tenho para o blog esta sendo dedicado mais para a página do blog no Instagram. Lá eu consigo juntar duas coisas que eu gosto muito que é a fotografia e o escrever. Então para você que sente falta de posts mais frequentes por aqui ou que quer saber como anda a nossa rotina depois de 4 anos em terras americanas,  comece a nos seguir no Instagram @morarnoseua. Pelo menos 1 vez por semana eu posto alguma foto por lá!

Mas aproveitando que eu estou aqui, vou falar um pouquinho de como foram esses últimos meses. Durante o verão estivemos com a casa cheia! Recebi praticamente toda a minha família: mãe, pai, irmã, sobrinhas, irmão, cunhada e até o meu avô de 91 anos venho para cá!

Minha mãe e meu avô ficaram 2 meses aqui conosco durante o verão o que foi muito bom! Para nós que moramos longe de todos é uma delícia ter a família junto com a gente! Como estávamos com visita praticamente durante todo o verão não fomos viajar por Michigan como de costume. Acampamos apenas uma vez e fomos pela primeira vez no parque aquático Cedar Point que fica no estado vizinho de Ohio.

As aulas do Theo começaram em Setembro e agora ele é um 3th Grade! Ele já está bem adaptado na nova escola (mudamos de casa no ano passado, então ele teve que mudar de escola novamente) e  já tem vários amiguinhos. Brincou muito na rua durante o verão todo já que nesse novo bairro em que moramos tem muitas crianças e todas vão juntas no mesmo ônibus para escola.

Ahh! Teve show do Bon Jovi e U2 também!

Mal começaram as aulas e tivemos que ir para o Brasil renovar (de novo) o nosso visto H1b. Tem post no blog explicando como é a renovação. O Visto H1b pode ser renovado por no máximo 2 vezes pois a validade dele é no máximo de 6 anos. Aproveitamos a viagem  para ver a outra parte da família que não venho para os EUA este ano e finalmente conseguimos fazer uma viagem a dois depois de 4 anos (pois tinha as avós para cuidar das crianças).

Fomos comemorar os nosso 10 anos de casados em Fernando de Noronha! Que lugar lindo! Merece todos os clichês!! E olha que já viajamos para lugares lindíssimos! Sim, é um destino caro, por isso nunca fomos enquanto morávamos no Brasil. Sempre quando colocávamos na ponta do lápis os custos para se viajar para Noronha, optávamos em viajar para fora do Brasil. Valeu a pena? Sim, sim, sim!!! Cada centavo valeu a pena!

Depois de quase um mês no Brasil voltamos para a nossa vidinha a quatro aqui nos EUA. Chegamos junto com o Outono, época de mudança de estação, o frio esta chegando, os dias estão mais curtos. É um momento de curtir o nosso ninho, a nossa casa e uns aos outros.

Vocês leitores do blog, continuem por aqui! O blog não esta abandonado! (Acho que já escrevi isto antes, rs). Continuem enviando dúvidas e perguntas, vejo todas! As vezes demoro um pouco para responder mas um dia a sua resposta chega tá!

Um grande abraço

Juliana

 

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O que perdemos quando deixamos o Brasil.

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10 de novembro de 2013 – nossa despedida do Brasil

Em novembro deste ano irá completar 3 anos em que estamos morando aqui nos EUA.  Como o tempo passa rápido! Sei que ando meio sumida do blog, devendo posts novos e devendo respostas as perguntas de vocês, seguidores do blog, mas é que a vida de dona de casa aqui nos EUA com dois filhos, sendo que um deles é um bebe, sem uma diarista para ajudar na casa pelo menos uma vez por semana e sem as vovós por perto para dar um help com as crianças não é moleza não! Quem pensa que morar nos EUA é só glamour está completamente enganado.

Bom, mas vamos ao que interessa que é um post novo no blog!!

Depois de 3 anos, acho que já  é possível fazer um balanço realístico de como esta sendo esta experiência de morar fora do Brasil. O terceiro ano é um bom momento para avaliar, como é morar fora do seu país e longe da sua família, já que o deslumbramento dos primeiros anos já passou.

No primeiro ano tudo é novidade! A educação das pessoas, o preço  das coisas, o layout das cidades que faz você se sentir dentro de um filme americano da sessão da tarde, a segurança, as lojas, os restaurantes, a beleza do outono, a neve fofa e branquinha do inverno, até ver o termômetro marcar menos vinte graus célsius no inverno é empolgante! Novos amigos,  fazer aulas de inglês, se encantar com as escolas públicas e com a estrutura das bibliotecas, conhecer lugares novos. Claro que também tem os perrengues deste primeiro ano, mas faz parte do processo de adaptação. Sentimos muita falta da família, mas no primeiro ano tem muita coisa acontecendo, a gente conversa com a família do Brasil pelo Skype quase todo dia, então a saudade não dói muito ainda.

Depois de dois anos morando fora a vida já entrou na rotina. Escola, trabalho, coisas de casa para fazer. Suas visitas aos outlets se resumem a duas vezes ao ano, quando vem família ou amigos te visitar. Você já enjoou de restaurantes do tipo Olive Garden e não acha mais graça em ir no Shopping da sua cidade. Mas você agora conhece restaurantes mais legais, já descobriu aquele mercadinho árabe onde da para comprar algo parecido com requeijão, seu nível de inglês já melhorou e você se sente bem mais confortável para conversar com os americanos. Se locomove de carro para cima e para baixo sem precisar mais do GPS. Você descobre que não vai ser amigo de todo brasileiro que você conhecer. A conversa com a família pelo Skype já não é mais tão frequente, umas duas vezes por semana talvez, afinal todo mundo tem coisa para fazer e a vida das pessoas no Brasil seguiu em frente sem a sua presença. A saudade começa a apertar principalmente aos fins de semana .

Morar fora tem inúmeros pontos positivos como já relatei aqui no blog. Você sai da sua zona de conforto, vive novas experiências, aprende uma nova língua, uma nova cultura, conhece pessoas  novas, sua mente abre para o mundo e você muda como pessoa. Mas  no terceiro ano de vida no exterior, um novo item entrou com força na minha coluna dos pontos negativos: as Perdas.

Morar no exterior é se acostumar, se é que é possível, com as perdas constantes em sua vida. Perdemos o nascimento e os aniversários do sobrinhos. Perdemos os churrascos em família aos domingos. Perdemos o aniversário de 90 anos do meu avo.  Perdemos os Natais em família. Perdemos o encontro de turma do pessoal da faculdade. Perdemos o casamento de amigos queridos e de primos. Perdemos os amigos que fizemos aqui nos EUA pois chegou o momento deles retornarem para o Brasil. Perdemos a nossa presença naquela foto oficial da família. Meus filhos perdem diariamente o convívio com os avós e com os primos. Perdemos nossas avós maternas. Perdemos o último adeus.

Deixamos de fazer parte da vida das pessoas que ficaram no Brasil (mãe, pai e vovós não entram nessa lista). A vida seguiu para todo mundo, para os que partiram e para os que ficaram. E não venha com o argumento de que hoje em dia dá para participar desses momentos via Skype pois não funciona. Nas primeiras festas de aniversários você até tenta entrar ao vivo na festa, direto dos “states” via skype, mas depois você percebe que não funciona. A diferença de horário entre os países não ajuda, as crianças não tem paciência para ficar conversando através de uma telinha e nada substitui a presença física nesses momentos.

Tudo bem, tudo bem, eu sei que a situação do Brasil esta complicada, não tem emprego, não tem segurança, um monte de gente gostaria de trocar de lugar comigo mas para quem tem uma família muito querida é difícil ficar tanto tempo longe.  É difícil não estar presente para compartilhar os sorrisos dos  momentos de alegrias e  nem presente para dar consolo nos momentos de tristeza.

Não me arrependo em ter me mudado para os EUA, está sendo uma experiência única de vida e estamos felizes aqui. Ganhamos segurança, ganhamos liberdade, ganhamos cultura, ganhamos conhecimentos, ganhamos novos amigos mas as perdas estão ali do lado para não nos deixar esquecer que tudo tem os dois lados.

Todos os textos desta página são de direitos autorais da autora Juliana Fontes.
A cópia de tais textos é proibida por lei. Fique à vontade para compartilhar e divulgar o blog mas não copie e cole.

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