O que perdemos quando deixamos o Brasil.

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10 de novembro de 2013 – nossa despedida do Brasil

Em novembro deste ano irá completar 3 anos em que estamos morando aqui nos EUA.  Como o tempo passa rápido! Sei que ando meio sumida do blog, devendo posts novos e devendo respostas as perguntas de vocês, seguidores do blog, mas é que a vida de dona de casa aqui nos EUA com dois filhos, sendo que um deles é um bebe, sem uma diarista para ajudar na casa pelo menos uma vez por semana e sem as vovós por perto para dar um help com as crianças não é moleza não! Quem pensa que morar nos EUA é só glamour está completamente enganado.

Bom, mas vamos ao que interessa que é um post novo no blog!!

Depois de 3 anos, acho que já  é possível fazer um balanço realístico de como esta sendo esta experiência de morar fora do Brasil. O terceiro ano é um bom momento para avaliar, como é morar fora do seu país e longe da sua família, já que o deslumbramento dos primeiros anos já passou.

No primeiro ano tudo é novidade! A educação das pessoas, o preço  das coisas, o layout das cidades que faz você se sentir dentro de um filme americano da sessão da tarde, a segurança, as lojas, os restaurantes, a beleza do outono, a neve fofa e branquinha do inverno, até ver o termômetro marcar menos vinte graus célsius no inverno é empolgante! Novos amigos,  fazer aulas de inglês, se encantar com as escolas públicas e com a estrutura das bibliotecas, conhecer lugares novos. Claro que também tem os perrengues deste primeiro ano, mas faz parte do processo de adaptação. Sentimos muita falta da família, mas no primeiro ano tem muita coisa acontecendo, a gente conversa com a família do Brasil pelo Skype quase todo dia, então a saudade não dói muito ainda.

Depois de dois anos morando fora a vida já entrou na rotina. Escola, trabalho, coisas de casa para fazer. Suas visitas aos outlets se resumem a duas vezes ao ano, quando vem família ou amigos te visitar. Você já enjoou de restaurantes do tipo Olive Garden e não acha mais graça em ir no Shopping da sua cidade. Mas você agora conhece restaurantes mais legais, já descobriu aquele mercadinho árabe onde da para comprar algo parecido com requeijão, seu nível de inglês já melhorou e você se sente bem mais confortável para conversar com os americanos. Se locomove de carro para cima e para baixo sem precisar mais do GPS. Você descobre que não vai ser amigo de todo brasileiro que você conhecer. A conversa com a família pelo Skype já não é mais tão frequente, umas duas vezes por semana talvez, afinal todo mundo tem coisa para fazer e a vida das pessoas no Brasil seguiu em frente sem a sua presença. A saudade começa a apertar principalmente aos fins de semana .

Morar fora tem inúmeros pontos positivos como já relatei aqui no blog. Você sai da sua zona de conforto, vive novas experiências, aprende uma nova língua, uma nova cultura, conhece pessoas  novas, sua mente abre para o mundo e você muda como pessoa. Mas  no terceiro ano de vida no exterior, um novo item entrou com força na minha coluna dos pontos negativos: as Perdas.

Morar no exterior é se acostumar, se é que é possível, com as perdas constantes em sua vida. Perdemos o nascimento e os aniversários do sobrinhos. Perdemos os churrascos em família aos domingos. Perdemos o aniversário de 90 anos do meu avo.  Perdemos os Natais em família. Perdemos o encontro de turma do pessoal da faculdade. Perdemos o casamento de amigos queridos e de primos. Perdemos os amigos que fizemos aqui nos EUA pois chegou o momento deles retornarem para o Brasil. Perdemos a nossa presença naquela foto oficial da família. Meus filhos perdem diariamente o convívio com os avós e com os primos. Perdemos nossas avós maternas. Perdemos o último adeus.

Deixamos de fazer parte da vida das pessoas que ficaram no Brasil (mãe, pai e vovós não entram nessa lista). A vida seguiu para todo mundo, para os que partiram e para os que ficaram. E não venha com o argumento de que hoje em dia dá para participar desses momentos via Skype pois não funciona. Nas primeiras festas de aniversários você até tenta entrar ao vivo na festa, direto dos “states” via skype, mas depois você percebe que não funciona. A diferença de horário entre os países não ajuda, as crianças não tem paciência para ficar conversando através de uma telinha e nada substitui a presença física nesses momentos.

Tudo bem, tudo bem, eu sei que a situação do Brasil esta complicada, não tem emprego, não tem segurança, um monte de gente gostaria de trocar de lugar comigo mas para quem tem uma família muito querida é difícil ficar tanto tempo longe.  É difícil não estar presente para compartilhar os sorrisos dos  momentos de alegrias e  nem presente para dar consolo nos momentos de tristeza.

Não me arrependo em ter me mudado para os EUA, está sendo uma experiência única de vida e estamos felizes aqui. Ganhamos segurança, ganhamos liberdade, ganhamos cultura, ganhamos conhecimentos, ganhamos novos amigos mas as perdas estão ali do lado para não nos deixar esquecer que tudo tem os dois lados.

Todos os textos desta página são de direitos autorais da autora Juliana Fontes.
A cópia de tais textos é proibida por lei. Fique à vontade para compartilhar e divulgar o blog mas não copie e cole.

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11 ideias sobre “O que perdemos quando deixamos o Brasil.

  1. Desirée

    Puxa Ju, seu texto me comoveu.
    Foi uma pena mesmo não ter participado do encontro da faculdade. Quem sabe da próxima?
    Realmente, as perdas as quais se referiu devem pesar bastante, mas… força aí, foca no lado bom.
    Que Deus os abençoe Onde estiverem.
    Beijos

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    Resposta
    1. Juliana Fontes Autor do post

      Obrigada pelo comentário no blog Desiree! Aqui está tudo bem, estamos felizes !! Mas tem hora que bate uma saudade muito grande da família. O indouto do Post foi tentar mostrar que tudo tem os dois lados, nenhum lugar é perfeito. As pessoas tendem a glamourizar muito a vida aqui nos EUA e esquece que a saudade e a perda do convívio com a família e amigos fazem parte da vida de quem resolveu deixar o seu país.

      Grande abraço 😉

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  2. christiNe

    Ola!!!! Quem me dera sair daqui….força e paciência!!!! Como não sou apegada a família, fora meus pais, seria ótimo mudar, radicalizar!!! Sorte amiga!! Vou tirar meu visto americano e lhe dou uma ajuda na faxina!!!! Ahahahahahsh BJSSSS

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  3. Adriana

    Olá Juliana td bem? Pelo que vc comentou vi que está com um bebê, como é ter filho nos EUA? Me disseram que é td muito caro na parte de saúde, estou indo morar na Florida em Janeiro e meu sonho é ter um segundo filho mas estou bem apreensiva, vc pode me falar da sua experiência?
    Bjs 😘

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  4. Fernando Sá

    Olá Juliana,
    achei seu site por acaso, pois estava pensando em ter meu próximo filho aí nos EUA. Não te conheço, conheço bem o país, acho que sou um pouco deslumbrado com tudo aí, mas você foi muito feliz nesse seu texto. Como sua amiga, também fiquei comovido. Você conseguiu retratar muito bem e com muita realidade como é todo esse processo de aclimatação e de encontro com as PERDAS. Me senti na sua pele… Imaginei cada situação… A vida não é realmente fácil… Nosso Brasilsão aqui realmente não está fácil, mas nós o faremos melhorar a duras penas… com muita luta. Será difícil e demorado chegar no nível dos EUA, mas conseguiremos. E se um dia sentir saudades demais, volte para cá, sem medo de ser feliz, pois tenho certeza que retomará sua vida aqui em família com muita tranquilidade. Sucesso para você e sua família!

    Curtido por 1 pessoa

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  5. Pingback: 3 anos morando nos EUA | Morar nos EUA

  6. Claudia

    Oi Juliana , adorei seu comentário , muita verdadeiro .
    Meu esposo recebeu uma proposta pra mudarmos pros Estados Unidos,
    Estamos analisando , a minha realidade é um pouco diferente já estamos com quase 50 anos, então ter que deixar os filhos e netos é bastante difícil.
    Mas estou naquele misto de empolgação , com receio kkkk
    Estou adorando ler tuas experiências.
    Um ótimo 2017 pra vc é tua família

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  7. Ana

    Juliana, estou amando seu blog!

    Nossa família é parecida com a sua e estamos analisando uma proposta de mudança. Não posso deixar de dizer que me emocionei aqui com seu post…..tbm temos uma família querida aqui, sobrinhos nascendo, filha pequena, pais e irmãos próximos que se reunem ao menos uma vez por semana.
    Estou tentando focar nos pontos positivos mas é uma decisão muito difícil
    Obrigada por partilhar conosco sua experiência!!!!

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